Anúncios e Tráfego

Google libera dados do Gmail e Fotos para anúncios: o que muda

A política de privacidade do Google, de 16 de outubro de 2026, abre exceção para anúncios. Veja quem é afetado, o que não mudou e o que o anunciante faz.

Por Redação NetMoneyLab4 min de leitura
Cadeado sobre um envelope entre um tablet em branco e uma moldura de foto vazia, em fundo verde escuro

A política de privacidade do Google, em vigor desde 16 de outubro de 2026, ganhou uma exceção: serviços como a Busca podem usar dados do Gmail, do Drive e do Google Fotos para personalizar conteúdo, inclusive anúncios, mas só se o usuário conectar esses apps. Quem não conecta continua protegido pela promessa de 2021. O anunciante não recebe acesso a nada disso.

O que exatamente mudou na política?

Desde 1º de julho de 2021, o Google afirmava que não personalizava anúncios com base em conteúdo do Drive, do Gmail ou do Google Fotos. Essa frase continua na política, agora com uma condição: ela vale a menos que o usuário escolha tornar esses dados disponíveis para outros serviços do Google que aceitam anúncios personalizados.

O texto também ganhou um exemplo direto. Segundo a política, a Busca pode processar parte dos dados que o usuário permite que ela acesse para personalizar conteúdo, incluindo anúncios. A lista de bases usadas para personalizar anúncios passou a incluir “conteúdo personalizado de serviços do Google”, ao lado de interesses e atividade, segundo a análise do PPC Land.

Quem é afetado?

Os afetados são os usuários que conectam Gmail, Drive, Fotos ou Agenda à Busca ou ao Gemini por meio do recurso Personal Intelligence, que é opcional. Segundo o PPC Land, a conexão exige ter 18 anos ou mais e uma conta pessoal do Google, e o Google Fotos não está disponível em todas as regiões.

Uma única conexão vale para os serviços de busca: Busca (incluindo o modo IA e o Discover), Maps e Shopping. O Google diz que os anúncios não se baseiam diretamente na caixa de entrada nem na biblioteca de fotos, mas podem usar resumos, trechos e inferências tiradas desse material.

O que não mudou?

Duas garantias continuam valendo, segundo a política e o PPC Land:

  • anúncios personalizados não usam categorias sensíveis, como raça, religião, orientação sexual ou saúde;
  • o Google não repassa a anunciantes informações que identifiquem a pessoa.

Para quem anuncia, também não há novo recurso de segmentação nem novo relatório ligado a esses dados. O impacto é indireto: o Google passa a ter mais sinais para decidir quem vê o anúncio, sem que você escolha ou veja quais.

O que o anunciante pequeno deve fazer?

Na nossa avaliação, nada na conta de anúncios muda hoje. Três cuidados fazem sentido:

  1. Não prometa o que você não controla. Não diga a clientes ou a donos de lojas que o Google “lê e-mails para segmentar”. A política diz outra coisa: o uso depende de conexão feita pelo usuário.
  2. Invista nos seus próprios dados. Lista de clientes com consentimento, cadastro de e-mail e conversões bem medidas continuam sendo a parte que você controla. Veja como isso entra na conta em Google Ads: multiplicador de valor para cliente novo.
  3. Cuide da qualidade do anúncio. Com mais sinais disponíveis, o leilão tende a premiar relevância. O guia sobre Índice de Qualidade do Google Ads mostra o que você ajusta.

Como orçamento, nada disso muda a regra básica: antes de aumentar o investimento, confira a margem. O artigo O que é ROAS traz a conta.

Como limitar o uso dos seus próprios dados?

Se você usa o Google e não quer que dados do Gmail ou do Fotos entrem na personalização, a Techlicious indica este caminho, que pode variar conforme a conta e o idioma da tela:

  1. Na sua Conta Google, abra a personalização dos serviços de Busca.
  2. Em Personal Intelligence, entre em apps de conteúdo conectados e desconecte o Google Workspace e o Google Fotos.
  3. Desligue as recomendações personalizadas, na mesma página.
  4. Use a Central de Anúncios (My Ad Center) para desativar anúncios personalizados.

Há um limite importante: desconectar um app não apaga o que a Busca já guardou. Segundo o PPC Land, esse histórico ainda pode servir para melhoria de produtos e treinamento de IA. Para apagar, é preciso revisar o histórico dos serviços de Busca na sua conta. Como o Google recomenda, evite conectar apps com informação pessoal ou confidencial.

O que ainda não se sabe?

O Google não detalhou como os resumos e inferências pesam na escolha do anúncio. Também não está claro se haverá, no futuro, algum controle específico para anunciantes. O PPC Land observa ainda que a política não descreve um consentimento separado para o uso em anúncios: a conexão dos apps é uma configuração à parte.

Há um contexto relevante. Em março de 2026, o Google disse que o modo IA com Personal Intelligence não teria anúncios; por volta de 16 de outubro, confirmou que testa anúncios no modo IA para esses usuários, segundo o PPC Land. Se isso virar regra, o anúncio dentro de respostas de IA tende a ser um tema para quem faz mídia paga, algo que já tratamos em anúncios no ChatGPT.

Vale mudar a estratégia agora?

Não. Esperaríamos pelo menos alguns meses de dados da própria conta antes de mexer em estrutura de campanha. Uma mudança de política não é recurso novo para o anunciante. O que vale é registrar a mudança, acompanhar os relatórios de desempenho e conferir o texto atualizado da política do Google, que é a fonte oficial e pode ser revisada de novo.

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