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Magalu na Shopee: o que muda para o pequeno vendedor

Magazine Luiza e KaBuM! passaram a vender estoque próprio na Shopee. Veja quais categorias sentem mais, o que ainda não se sabe e o que fazer agora.

Por Redação NetMoneyLab4 min de leitura
Caixas de papelão agrupadas sobre uma esteira entre duas vitrines escuras iluminadas de verde

O Grupo Magalu começou a vender produtos do próprio estoque do Magazine Luiza e do KaBuM! dentro da Shopee em 15 de outubro de 2026, na área de Lojas Oficiais. Entram eletrodomésticos, eletrônicos, móveis, games e informática, com entrega feita pela Magalog, a empresa de logística do grupo. Para o pequeno vendedor dessas categorias, a concorrência ficou mais pesada.

O que foi anunciado?

A Magalu agora atua como vendedora dentro da Shopee, com lojas oficiais das duas marcas. É o modelo chamado 1P (venda primária): o próprio varejista compra, guarda e vende a mercadoria, diferente do 3P, em que a plataforma só intermedia a venda de terceiros.

Segundo a Consumidor Moderno, o Magazine Luiza leva a parte de eletroeletrônicos e móveis, e o KaBuM! cuida de games e informática. Todas as entregas passam pela Magalog, que, de acordo com a mesma reportagem, tem mais de 100 clientes externos e faturou acima de R$ 3 bilhões em 2025.

O acordo também dá à Magalu acesso às ferramentas de venda social da Shopee, como transmissões ao vivo, vídeos curtos e a rede de criadores e afiliados da plataforma, que passa de 10 milhões de pessoas no Brasil, segundo a empresa. As lojas oficiais podem participar das campanhas de datas duplas, como 10.10 e 11.11.

Por que a Magalu foi para a casa da concorrente?

A resposta curta é audiência. A Shopee diz receber cerca de 90 milhões de brasileiros por mês, e o vice-presidente de operações da Magalu, Fabrício Garcia, disse à Exame que espera que mais de 75% dos compradores na Shopee sejam clientes novos para o grupo.

A Shopee é a quinta parceria desse tipo. Pelo histórico publicado pelo NeoFeed, vieram antes AliExpress (2024), Americanas (dezembro de 2025), Amazon (junho de 2026) e Mercado Livre (setembro de 2026). Garcia afirmou à Exame que a Shopee deve ser a última do ano.

Há também um motivo logístico. Na análise do BTG Pactual citada pelo NeoFeed, mais pedidos aumentam a densidade de rotas da Magalog e reduzem o custo por entrega, porque o custo fixo se dilui em mais volume. O banco avalia que a Magalu ganha alcance sem gastar muito para atrair cliente e ainda mantém o controle de estoque, atendimento e entrega.

Quem sente mais a chegada da Magalu?

Quem vende as mesmas categorias. Na nossa avaliação, o risco é maior para quem revende produto de marca conhecida, igual ao que a Magalu tem em estoque, porque aí a comparação é direta: mesmo item, mesma busca, preço lado a lado.

Seu tipo de loja na Shopee Nível de impacto Por quê
Revenda de eletrodomésticos, TVs, celulares Alto Mesmo produto, e a Magalu compra em volume
Móveis e itens grandes Alto A Magalu cita prazo competitivo em produto pesado
Informática, periféricos e games Alto Área em que o KaBuM! se apresenta como líder
Acessórios genéricos dessas categorias Médio Disputa a mesma busca, mas com produto diferente
Moda, beleza, artesanato, produto próprio Baixo Fora do sortimento anunciado

Um exemplo simples mostra o problema. Se você revende uma air fryer de marca conhecida e o mesmo modelo aparece na Loja Oficial Magazine Luiza pelo mesmo preço, o comprador tende a escolher a loja oficial, com selo e entrega da Magalog. Para competir, você precisa de um motivo diferente de preço: kit com acessório, atendimento mais rápido ou envio no mesmo dia na sua região.

O que ainda não se sabe?

Faltam informações importantes, e é bom não tirar conclusão antes da hora:

  • Quantos produtos entram. O anúncio não diz o tamanho do catálogo na Shopee.
  • Condições comerciais. Comissão, metas e valores do acordo não foram divulgados. A Magalu só disse que tem metas e que as vendas serão relevantes.
  • Preço. Não há informação de que os preços na Shopee serão iguais, maiores ou menores que no site da Magalu.
  • Peso na busca. Não se sabe se as lojas oficiais terão destaque extra nos resultados além do que o selo já oferece.

O que fazer agora?

O fim do ano é o período mais disputado, e a Magalu entrou bem antes de 11.11, Black Friday e Natal. Algumas ações práticas para esta semana:

  1. Pesquise seus produtos campeões na Shopee e veja se já aparecem nas lojas oficiais da Magalu ou do KaBuM!. Anote o preço e o prazo mostrados.
  2. Calcule sua margem real com comissão, taxa por item e frete. Se você só ganha no preço mais baixo, sua margem fica sem folga contra quem compra em volume.
  3. Diferencie o anúncio. Kits, brindes, variações que o grande varejista não tem e fotos que mostram o uso real ajudam a sair da comparação direta.
  4. Use o que é seu de vantagem: resposta rápida no chat, postagem no mesmo dia e atendimento pessoal no pós-venda.
  5. Considere ampliar o mix para itens de nicho, com menos concorrência de grandes marcas.

Na nossa avaliação, a entrada de grandes varejistas na Shopee é uma tendência e não um episódio isolado. A Consumidor Moderno registra que outras marcas também estão abrindo lojas oficiais na plataforma. Quem depende só de revender produto de marca pelo menor preço deve rever essa estratégia nos próximos meses.